31 julho 2010

Entenda os riscos da exploração do petróleo

O professor Wilson Siguemasa Iramina, do curso de Engenharia de Petróleo da USP, diz que o verbo "economizar" é proibido no vocabulário de uma petrolífera.

"[A exploração de petróleo] É uma atividade de risco. A cada cinco poços, apenas um deve ter óleo e o gás. Os outros não produzem e não pagam o investimento. Todas as empresas têm que ter muito dinheiro para investir nisso", diz.

Para Zylbersztajn, o descuido nos investimentos em segurança da BP é consequência também das falhas na fiscalização do setor nos EUA. "O governo americano na era Bush afrouxou muito as regras e a fiscalização. No Brasil, a ANP faz uma fiscalização bem mais rígida", diz.

De acordo com o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, o acidente da BP representa um marco no mercado de petróleo, que passará a se preocupar ainda mais com a segurança na exploração.

"Qualquer exploração no mar daqui para a frente vai ficar muito mais cara. Primeiro porque as próprias seguradoras vão aumentar o seguro de plataforma.[...] Além disso, as próprias autoridades governamentais tendem a dificultar mais o licenciamento ambiental para explorar petróleo no mar, e a exigir equipamentos de maior grau de segurança. Isso tudo aumenta custos", afirma.

Apesar disso, ele afirma que a produção do óleo deve continuar a crescer, junto com a demanda pelo produto. "O grande desafio é descobrir como você aumenta a produção de energia com mais garantias ambientais, tendo menos acidentes e também emitindo menos gás carbônico", diz.

25 julho 2010

China ainda investiga explosão: acidente no porto de Dalian ocorreu durante limpeza de duto

Os primeiros detalhes sobre o maior vazamento de óleo já ocorrido na China foram divulgados nesta sexta-feira, ao mesmo tempo em que grupos de ambientalistas pressionavam o governo a fazer um esforço maior de alerta sobre riscos aos moradores das localidades próximas ao porto de Dalian, afirmando que há crianças brincando nas praias da região. Nesta sexta, o governo chinês não forneceu qualquer atualização sobre o trabalho de limpeza do óleo, nem sobre o tamanho da mancha negra que, segundo os últimos informes, tinha 430 quilômetros quadrados na região próxima a Dalian.

Segundo uma declaração divulgada nesta sexta-feira no site do Escritório Estatal de Segurança no Trabalho, a explosão ocorreu quando trabalhadores injetavam no oleoduto uma substância química para retirar resíduos sulfúricos do petróleo, logo após o descarregamento de óleo por um navio-tanque. A nota acrescenta que a explosão continua sendo investigada.

O oleoduto pertence à petrolífera estatal China National Petroleum Corp., maior produtora de petróleo e gás da Ásia em volume. De acordo com a agência oficial de notícias Xinhua, as operações petrolíferas foram retomadas no porto de Dalian.

O Ministério dos Transportes da China determinou a todos os portos do país que adotem um plano de emergência para responder a acidentes como o ocorrido em Dalian, o segundo maior porto da China, por onde escoam commodities como petróleo e minério de ferro.

22 julho 2010

Vazamento de petróleo ameaça vida marinha da China

O maior vazamento de petróleo conhecido na China já havia mais do que duplicado até hoje, fechando praias no Mar Amarelo e fazendo com que autoridades ambientais dissessem que o espesso petróleo bruto representa uma "severa ameaça" à vida marinha e à qualidade da água na região.

As pessoas que trabalham na limpeza das praias em Dalian não têm os equipamentos necessários, o que complica a realização da tarefa, embora 40 barcos para o controle do petróleo e centenas de barcos de pesca tenham sido enviados para a área.

"Estive em algumas baías hoje e vi que elas estão quase inteiramente cobertas de óleo", disse Zhong Yu, funcionária do grupo ambientalista Greenpeace, na China. O petróleo se espalhou por mais de 430 quilômetros quadrados em cinco dias, desde que um oleoduto no movimentado porto do nordeste do país explodiu.

Meios de comunicação estatais afirmam que não há mais vazamento no mar, mas não está claro qual foi a quantidade de petróleo que saiu do oleoduto. O Greenpeace China divulgou hoje fotografias de esteiras de palha de 2 metros quadrados no meio do vazamento, colocadas para absorver o óleo. Zhong disse que é difícil estimar o tamanho real do vazamento e dos danos que está causando.

Mas uma autoridade marítima da cidade de Dalian, onde o porto está localizado, já advertiu sobre os danos ambientais. "O petróleo representa uma severa ameaça aos animais marinhos, à qualidade da água e aos pássaros marinhos", disse Huang Yong, da Administração de Segurança Marítima Chinesa em Dalian.