21 junho 2010

Despesa com vazamento de petróleo chega a US$50 bi

A companhia British Petroleum (BP) planeja levantar US$ 50 bilhões para cobrir as despesas com o vazamento de petróleo no Golfo do México, mais do que o dobro da quantia prevista inicialmente, segundo reportagem do jornal The Sunday Times, que não cita suas fontes. A câmara de diretores teria aprovado o plano na semana passada. A primeira etapa do levantamento de capital poderia ocorrer já nesta semana, com a venda de US$ 10 bilhões em títulos. A companhia também está discutindo com bancos a possibilidade de obter mais US$ 20 bilhões em empréstimos. O jornal relata que os outros US$ 20 bilhões devem ter origem na venda de ativos durante os próximos dois anos.

O The Sunday Times diz que a BP está acelerando o processo de levantar capital porque seus gastos com empréstimos podem aumentar bastante no futuro. As três maiores agências de rating rebaixaram a avaliação do crédito do grupo na semana passada, em meio a temores de que as despesas com o vazamento de petróleo no Golfo do México, o maior desastre ambiental dos Estados Unidos, poderiam chegar a US$ 100 bilhões.

O porta-voz da empresa Andrew Gowers não confirmou os detalhes do plano. "Continuaremos avaliando uma série de recursos de liquidez. A BP está maximizando e acumulando capital para conseguir lidar com os assuntos do Golfo", disse. Gowers lembrou que a BP suspendeu os pagamentos de dividendos aos acionistas e anunciou planos de levantar US$ 10 bilhões por meio da venda de ativos durante os próximos 12 meses.

Empresas querem trazer sondas para o Brasil

O Brasil é hoje o maior foco mundial de exploração marítima de petróleo, com 78 sondas contratadas, segundo os dados da Rigzone - 37 delas com capacidade para operar em águas profundas.

Com estimadas 35 sondas inativas no Golfo do México, o Brasil já está sendo consultado por empresas que querem trazer seus equipamentos para o País.

"O que é ruim para alguns pode ser bom para outros", disse Fernando Martins, vice-presidente para América Latina da GE Oil and Gas, que fornece serviço para empresas de perfuração.

"Como os operadores estão fechando pelo menos temporariamente no golfo dos EUA, algumas empresas planejam levar suas plataformas de perfuração para o Brasil agora", disse ele, sem dar detalhes.

De quem é a BP afinal?

O governo britânico é tão sensível à questão que o primeiro-ministro David Cameron ficou 30 minutos ao telefone lembrando o presidente americano Barack Obama que a BP é uma corporação global que há muito deixou de se chamar "British Petroleum".

Tudo bem. Isso pode ser verdade. Mas, para milhões de não britânicos, essa pode parecer uma distinção sem sentido. Não só a BP está baseada em Londres como, por um século, seus presidentes foram todos britânicos. Com certeza, para qualquer pessoa informada sobre suas operações no Oriente Médio, na Ásia Central, na África e nas Américas, a BP é tão britânica quanto a cerveja morna.

As queixas de que a BP faz mistério sobre suas operações também não são novidades. Nos países onde ela atua, a empresa adora responder às críticas com evasivas. Essa não é a história toda, mas esse comportamento britânico está enraizado em seu DNA corporativo.

Eis uma breve história da companhia. Três britânicos presidiram o nascimento da BP, em 1909: um empresário aventureiro chamado William Knox D"Arcy, um jovem membro do Parlamento chamado Winston Churchill e o maior "maníaco por petróleo" da Marinha Real, o almirante Sir John Fisher.