01 abril 2010

Petrobras finaliza acordo para assumir instalações do antigo Ishibrás no Rio

À semelhança do contrato negociado entre a Andrade Gutierrez e o Grupo Synergy, para arrendamento do estaleiro Mauá, a Petrobras também negocia o aluguel de uma área no Rio para a construção de plataformas. O contrato, em fase final de negociação, prevê o arrendamento de área de cerca de 300 mil metros quadrados no bairro do Caju, zona portuária do Rio, por 20 anos.
Ali operou por muitos anos o estaleiro Ishikawajima do Brasil (Ishibrás), que tinha o maior dique seco para a construção de navios e plataformas do país. No mercado comenta-se que a Petrobras vai pagar cerca de R$ 4 milhões por mês pelo arrendamento da área, que pertence à Companhia Brasileira de Diques (CBD), controlada por uma sociedade de propósito específico que tem como sócios a Inepar Administração e Participações (IAP), holding que controla a Inepar Indústria e Construções, e a Fator Empreendimentos.
Ontem, em Nova York, o governador do Rio, Sérgio Cabral, destacou a importância para o Rio e para a indústria naval brasileira do arrendamento dessa área pela Petrobras. As instalações do antigo Ishibrás, que precisam receber investimentos para operar, serão fundamentais para a produção de mais navios e plataformas no Estado. Com a retomada do estaleiro, que vem funcionando apenas para reparos nos últimos anos, abre-se também a possibilidade de criação de novos empregos no Estado, uma vez que a indústria naval é intensiva em mão de obra.
Em outubro de 2009, circulou informação segundo a qual a Petrobras teria aprovado o arrendamento das instalações do Ishibrás. Mas na época a Petrobras informou que, apesar de o assunto ter sido analisado em reunião de diretoria, ainda faltava um parecer da área jurídica para concluir a operação. Ontem uma fonte disse que ainda há pequenos detalhes sendo analisados.
Existe a possibilidade de o assunto ser tratado hoje em reunião de diretoria da Petrobras. Procurada, a empresa informou ontem, via assessoria, que não tinha nada a comentar sobre o arrendamento do Ishibrás. Depois de arrendada, a estatal deve oferecer a área para empresas fazerem a conversão de cascos de embarcações em navios-plataformas.

Crise mundial e preços baixos reduziram investimentos no setor de cana

A falta de investimentos nos últimos anos na renovação dos canaviais pode afetar a próxima safrado setor. Segundo o diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, com a crise internacional e a baixa nos preços do álcool, a indústria deixou de investir na recuperação das lavouras.

De acordo com os dados divulgados hoje (31) pela Unica, os investimentos nos canaviais em 2009 foram 23% inferiores aos de 2008. Rodrigues destaca que o envelhecimento da plantação torna mais imprevisível a produção. “Ninguém tem condições de fazer planejamento de safra em um canavial desequilibrado”, ressaltou.

Rodrigues acredita que as empresas do setor terão que investir em seus canaviais na próxima entressafra, o que reduzirá a área disponível para a colheita. “Você termina essa safra com um canavial totalmente desequilibrado e as empresas querem normalizar o seu canavial. Aumentando a área de reforma ano que vem, você vai ter menos disponibilidade de área para colheita”, explicou.

As novas áreas de plantação de cana-de-açúcar conseguirão, segundo Rodrigues, compensar dificilmente as áreas que precisam ser reformadas. “Evidente que continuará havendo expansões, mas o cenário provável é que não compense a redução da área a ser colhida na próxima safra”, destacou.

A safra deste ano, 2010/11, deve superar em 10% a anterior, totalizando 595 milhões de toneladas de cana moída, segundo estimativa da Unica. A produção de etanol deve chegar aos 27,3 bilhões de litros, 15% do que da última safra. No açúcar, a produção deve aumentar 19,1% e chegar a 34 milhões de toneladas.

Segundo a Unica, os resultados deverão mostrar a normalização da safra, após um ano atípico. O excesso de chuvas em 2009 prejudicou, de acordo com a entidade, a safra passada e foi responsável pela grande alta nos preços verificada a partir do final do ano. Além disso, os produtores haviam vendido parte do produto abaixo do preço de custo no início do ano para compensar uma falta de liquidez.

O presidente da Unica, Marcos Jank, ressaltou que, no entanto, as condições excepcionais verificadas no ano passado tem poucas chances de repetir. Ele acrescentou que a indústria trabalha em conjunto com o governo federal para fortalecer um programa de estocagem de etanol para dar mais estabilidade aos preços do produto.

31 março 2010

Brasil precisa formar mão de obra especializada em petróleo e gás de forma acelerada

A formação de engenheiros, técnicos e operários para a exploração de petróleo e gás é o grande desafio brasileiro para o aproveitamento das novas reservas descobertas na camada pré-sal . Esta foi a principal conclusão dos participantes da audiência pública realizada pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) na noite desta segunda-feira (29).

A audiência foi o 5º painel do ciclo de debates Agenda Desafio 2009-2015 - Recursos Humanos para Inovação e Competitividade, proposta pelo presidente da Comissão, senador Fernando Collor (PTB-AL). O painel teve como título "Desafios, necessidades e perspectivas na formação e capacitação de recursos humanos para exploração, refino e distribuição dos produtos existentes nas reservas petrolíferas do pré-sal".

O primeiro a se manifestar foi o presidente da BR Distribuidora, José Lima de Andrade Neto. Ele afirmou que a metodologia utilizada pelo governo brasileiro para a formação dos recursos humanos necessários à exploração do petróleo do pré-sal é diferente da usual. Segundo ele, a partir do projeto estabelecido, o país tem procurado adequar a formação da mão de obra necessária, em tempo hábil.

Lima Neto também salientou a necessidade de se reforçar a expertise de empresas de engenharia no Brasil. Ele disse que o país já teve grandes e competentes empresas de engenharia, mas a atuação e competência dessas empresas foram diminuindo ao longo dos anos.

Em seguida falou Marcelo Taulois, diretor-presidente da Aker Solutions do Brasil, uma multinacional de origem norueguesa. Ele falou da grande dificuldade da empresa em obter mão de obra qualificada. Segundo ele, um engenheiro recém-formado leva cinco anos para ser preparado para atuar neste mercado.

A empresa, que tinha 350 funcionários em 2007, hoje conta com 850 e pretende chegar a pelo menos 1,2 mil em 2012. Taulois afirmou que 4% dos custos com funcionários da empresa no Brasil é gasto em treinamento, fato sem similar em suas filiais em outros países.

- A demanda é muito maior do que qualquer pessoa aqui imagina - sentenciou, estimando que 200 mil novos profissionais terão de ser qualificados nos próximos dois anos.

Outro problema enfatizado por Taulois diz respeito aos fornecedores. Segundo ele, a Aker Solutions do Brasil tem um grupo de 16 engenheiros para ensinar aos fornecedores - são 78 no total - como elaborar os produtos necessários à empresa, que fabrica, entre outras coisas, a máquina que fica no fundo do mar abrindo e fechando válvulas dos diversos postos explorados.

Fonte
Site: Agência Senado